E eu não conseguiria - embora queira muito - te dizer como me sinto. Entenda, não consigo desvendar esse mistério nem a mim mesma.
Eu queria muito poder te deixar entrar, quem sabe oferecer um café. Queria que você entrasse aqui e visse e sentisse o que é. Essa falta, essa ânsia, essa insatisfação. Sempre soube que não preciso falar para que você entenda. Nesses últimos tempos, não precisei te dizer muito para me sentir compreendida.
Mas às vezes é tão difícil encarar e viajar nesses meus pensamentos loucos. As vezes eles me mostram tanta coisa que eu não quero ver, pensar, imaginar. As vezes me fazem sentir coisas que eu preferiria evitar. Mas como evitar o inevitável, não é mesmo ? O que tem de ser, vai ser. Isso é certo. Mas como vai ser, porque vai ser, isso somos nós que vamos escolher. As opções são nossas, não somos apenas pobres vítimas do destino. E é por isso que temos que correr atrás do que queremos, não abaixar os braços e continuar lutando pelos nossos sonhos...
(E eu sei que no fim você vai estar lá.)
in all this chaos we found safety
Janeiro 14, 2012
Dezembro 03, 2011
Mas quando eu penso em alguém, é por você que eu fecho os olhos
Eu queria tanto te escrever algo. Algo que talvez resumisse a situação. Algo que te fizesse enfim entender o que realmente está acontecendo. Eu sempre tive um medo enorme de dizer o que sinto, de expor tudo o que eu tenho para dar. Eu talvez tenha demorado, mas te disse tudo. Na verdade, não tudo, pois as palavras sempre me parecerão escassas para descrever o que sinto. E acho que apenas esse fato mostra toda a sinceridade que eu não consigo mais esconder. Mas, não sei, eu penso em você e não consigo parar de pensar nessas babaquices românticas e nessas breguices de meu-amor-pode-me-salvar. Gostei de muitos outros caras depois de você. Provavelmente continuarei gostando. Quem sabe conseguirei ter uma relação séria. Tanto faz, na verdade. Eu sei que, no fundo, eu serei uma eterna insatisfeita enquanto nenhum deles não for você. Então eu venho, por meio deste, te pedir para que mesmo se a esperança começar a esgotar algum dia, mesmo se eu estive chata e reclamona, mais faladeira que o normal, quem sabe meio cansativa, que você não desista de nós. Que você sempre lembre desses momentos e desses olhares e dessa falta de palavras e desse ar que parecia de repente insuficiente para alimentar nossos pulmões e dessa saudade e dessa insensatez tão doce. Quero que você lembre de nossos sorrisos. E que você venha buscá-los outra vez. Porque o meu sorriso é teu.
My hopes are so high.
My hopes are so high.
Setembro 04, 2011
Chagrin
"Chagrin". Essa é uma das palavras que eu mais gosto em francês. "Chagrin" significa dor e tristeza. Mas, eu não sei, só de escrever essa palavra e ouvi-la ecoar em meus pensamentos, um frio corre pela espinha. De alguma forma, incompreensível, talvez até besta, eu sinto o que essa palavra quer dizer. Eu sinto e imagino o que é. Porque "chagrin" é dor e tristeza, ao mesmo tempo. E quando eu digo "dor" não é um arranhão na perna ; é aquela dor interna que te corrói por dentro sem você entender muito bem a origem ou a razão. Ela apenas te come interiormente te fazendo beirar o desespero. Sabe quando você pensa em alguma coisa e que te dá aquela pontada no coração e que você sabe que se passar um pouco mais se concentrando no pensamento as lágrimas começam involuntariamente a picar os olhos ? E então dá aquele aperto no coração e mesmo se você quisesse se expressar você não conseguiria com esse nó imenso na garganta ? Sabe aquela dor que mesmo se chorasse, se suas lágrimas acabassem com a sede de um pais inteiro, não resolveria ? Isso, pra mim, é "chagrin". É algo que te espreme que nem laranja. E no pior, no pior dos sentidos.
Eu gosto dessa palavra. Odeio a sensação. Adoro a palavra. Pra mim, "chagrin" é como "saudade". Com uma simples palavra, muita coisa pode ser expressada. Por trás de uma simples palavra, se esconde uma imensidão.
Eu gosto dessa palavra. Odeio a sensação. Adoro a palavra. Pra mim, "chagrin" é como "saudade". Com uma simples palavra, muita coisa pode ser expressada. Por trás de uma simples palavra, se esconde uma imensidão.
Julho 20, 2011
Beco sem saída
E quantas vezes eu já te procurei em outros corpos, outras bocas, outros olhos. Quantas vezes eu já me enganei com outros sentimentos, tentava - e às vezes até conseguia - me convencer de que tinha passado, de que "esse é o certo, esse é o melhor, o outro não era bom pra mim". Quantas vezes já escrevi para outros deixando o rastro de nossa história nas entrelinhas, deixando-me levar pelas minhas mãos que escreviam por puro impulso frases evidentemente destinadas a você, mas numa declaração que, ao início, era destinada a outro. Ironia, né. Você está aqui. Ali. Lá. Pois é, meu amor, grande equivoco meu achar que conseguiria desviar de sua presença em minha mente ao encostar minha cabeça no travesseiro no fim do dia. Falta tanto pra viver e minha alma sente tanta certeza. Talvez seja ingenuidade, inocência. Mas já chegamos tão longe e você deixou tua marca em todo lugar. Surreal.
As melhores coisas da vida são as mais difíceis de se obter e é necessário paciência, disseram.
E, meu anjo, entenda que no fundo existe uma menina ansiando em ser só sua, mas, menina que é, tem medo de novas cicatrizes. Porém, arriscaria tudo para sorrir contigo.
Julho 17, 2011
Martha Medeiros
O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".
Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".
Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.
Julho 13, 2011
Memórias de uma madrugada
Vagou inquieta pelo quarto. Mas que grande bosta, suspirou.
Nessa madrugada, tão quieta, tão silenciosa, tão ensurdecedora, pairava um sentimento de... Do que mesmo ? Chega a ser incrível como quando o peito está transbordando de sentimentos, quando a cabeça está borbulhando de pensamentos, a gente não consegue pegar um só e analisar. Porque é assim : você pega um, e naquele um você acha um outro, e outro, e outro... E então uma manta, um lençol de pensamentos se forma exalando, então, diversos sentimentos. Sentia-se culpada, de certa forma. Se sentia feliz. Mas estava tão inconsolável. Sempre se contradizendo.
Sentiu uma vontade de gritar mas nenhum som - nem mesmo em forma de sussurro - saia de seus lábios. E, de qualquer forma, as palavras faltavam, estavam ausentes. A indignação e incompreensão escorriam pelo seu rosto e sua pele, impregnada de saudade, se tornava cada vez mais sensível ao toque. Sentia um frio na espinha, atrás das orelhas. Sentia pterodáctilos no estômago.
Precisava se distrair. Tentou pegar o papel e a caneta, mas ficou apenas ali, encarando o papel em branco. Onde estavam as palavras que outrora fluíam tão naturalmente ? Isso não é hora pra tomar banho, pensou. Que merda. Algumas pessoas deixavam de fazer uma coisa ou outra por falta de tempo... Ah, tempo, isso ela tinha ! Mas era incapaz de fazer o que queria. Não, talvez "incapaz" fosse uma palavra muito forte. Não tinha jeito nenhum de fazer o que queria. O que queria estava longe. Tinha que esperar. Esperar. Tempo.
Deitou no tapete. Ela queria apenas parar de pensar. E esse sono não chegava, não chegava...
Junho 11, 2011
Era pra ser uma noite normal, tranqüila, com as amigas, a casa sem os pais. Tudo maravilhoso. Até uma certa hora. A hora em que ela sentou no sofá. Ela começou a desabar em lágrimas. Chorou, chorou, até soluçar, sem saber qual era a razão. Suas amigas tentavam como podiam a reconfortar, mas é difícil confortar sem saber porque. Mas elas ficaram lá, oferecendo o ombro como apoio. Ar fresco. Isso, ar fresco. Era preciso ar fresco. Elas foram parar no jardim. Ainda tentando - em vão - achar a origem do problema.
Por que tudo tinha de ser tão complicado ? Ela não sabia o que tinha, mas sabia que no fundo não estava tão feliz quanto aparentava estar. Ah ! Se o mundo soubesse... Poderia ser fácil levantar, sair daquele jardim e ir correndo até o que poderia fazer feliz. Mas não é fácil, nunca é fácil, nada é fácil.
Um cigarro. Apenas um. Dois. Três. Depois dessa ultima hora aos prantos ela parecia começar a se sentir melhor. Vai ver é psicológico. Porque tudo tá apenas dentro da cabeça da gente, não é ? O mundo é relativo. O tempo é relativo. E tudo é questão de tempo. Sentimentos. Existem uma porção de sentimentos, não é ? Tudo deixa sua marca. Até lugares deixam uma marca. Ela não sabia que era possível se sentir mal àquele ponto, sentir tanta confusão. Tantas idéias atravessando o espirito sem poder se concentrar em uma e tentar entender. Não dava, eram milhares de pensamentos. Ah, como essas pessoas que não pensam tem sorte... Porque é nisso que dá pensar demais : a gente nunca fica satisfeito, e sofre.
E o mundo é tão sujo, as pessoas são tão sujas. Você não pode abaixar a guarda durante dois segundos que logo atrás tem um pra se aproveitar de você. Tiram proveito na cara dura e deixam outras pessoas morrendo de fome. E, claro, se aproveitam também dessas pessoas que estão morrendo de fome. E ela pensando que estava até reclamando de boca cheia. E chega a ser irônico e completamente estupido o quanto você pode se sentir vazio tendo tanto.
É isso, a gente suporta tanto, a gente é forte durante tanto tempo, que a gente explode. Mas é preciso ter força, pra recolar os pedaços e seguir sorrindo.
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