abril 25, 2010

colírios e futilidades.

eu não sei o que escrever. na verdade, nesse exato momento eu deveria estar começando a fazer o meu dossiê de uma entrevista com o Victor Hugo no dia de sua morte. eu sei, mais legal não existe. mas aí eu me peguei pensando em... em nada, na verdade. mas eu queria escrever aqui porque faz tempo que eu não escrevo nada.

hm, então eu vou falar sobre um assunto aleatório que me irritou nesses últimos dias: colírios. meu deus, coisa mais fútil ainda tá pra vir. e essas garotinhas sem cérebro ainda dão importância pra isso tudo.

meu, uma revista especial da Capricho sobre três deles tá 17 reais. eu vi uma foto no twitpic e um monte de menina comentando que elas teem que comprar essa revista. não, você não tem que comprar, você vai apenas comprar porque eles são bonitinhos. como diria a nova música do Strike (Tendência) "vazio por dentro mas por fora bem feitin".

tipo, esses caras não são famosos porque teem alguma competência, algum talento ou qualquer outra coisa, eles apenas estão famosos porque são... bonitos? sem contar que a maioria deles são antipáticos pra caramba. e meu, tem meninas que chorando, implorando um "oi" deles.

aí você me fala que tem um monte de atores que são famosos pela beleza. discordo. atores são famosos por que atuam. claro que se eles são bonitos eles vão ser conseqüentemente mais famosos. mas a beleza deles não os torna famosos. porque um diretor de um filme não vai contratar um cara só porque ele é bonito, ele vai contratar de acordo com o seu talento de atuar.

e aí, você, garota fútil e sem cérebro, que ainda insiste em defender esses colírios, vai me falar "mas agora eles tão fazendo a série Vida De Garoto, então por um lado eles são atores também e teem um talento". discordo, novamente. pra começar, eles tão fazendo essas série porque são colírios, ou seja, um motivo realmente fútil. e sem contar que, puta que pariu, eles não sabem atuar. e cá entre nós, a série é tão fútil quanto eles.

"mas você nem viu e fica aí falando". vi sim, e a série é um lixo. a voz dos caras é horrível e eles não sabem atuar. pelo amor de deus, aquela série só fala de pegar menininhas e festa na piscina. sem contar que só tem propagando no negócio. tipo, os caras mostram a menina entrando no banheiro e tirando um tampão da bolsa. só faltou ela falar "estou menstruada, mas como a gente vai na piscina é melhor eu colocar este tampão Always edição especial cheiro de ervas. ele é bom e segura mesmo. e ainda tem cheirinho bom!", ou seja, completamente ridículo.

eu já gostei muito de Capricho, a revista em si sempre foi legal porque ela aborda uns assuntos cabeça. mas meu, com essa coisa de colírio eu tô realmente começando a achar que a Capricho tá querendo criar uma juventude fútil e alienada com pessoas que só ligam pra popularidade e status social. eu acho isso totalmente... deplorável.

sinceramente, eu acho que com o público que a Capricho tem e essa série com esses caras que são relativamente famosos entre as menininhas sem cérebro que só ligam pra beleza exterior, ela poderia abordar assuntos mais interessantes na série. coisas que acontecem entre os jovens no dia-a-dia mas ninguém liga. conscientização. não apenas três garotos que vão pra praia pra procurar as vizinhas que eles acharam bonitas. eu, sinceramente, como leitora da revista (na verdade, não leio mais, porque eu tô na França e ficar alugando amigo pra me enviar a revista é meio tenso, mas sempre tento procurar algumas coisas na internet), esperava mais.

abril 03, 2010

manage me, i'm a mess.
turn a page, i'm a book half unread.

março 13, 2010

sobre cigarros e recomeços. parte III

sábado.

quase nem consegui dormir de tanta ansiedade. fiquei pensando em milhares de lugares onde a gente poderia ir. parques, centro, restaurante... enfim, viajei na minha própria mente (pra variar) e fiquei pensando nas ações, no que eu poderia dizer e toda a coisa. mas no fim, me obriguei a dormir se não eu me olharia no espelho e encontraria olheiras horríveis embaixo dos meus olhos pela manhã.

acordei. cedo. mas cedo demais. mas, para minha felicidade estava sem olheiras. fiquei enrolando na cama durante um tempo, tava tão quentinho ali. enfim me levantei, esquentei meu pain au chocolat, enchi minha xícara de café, coloquei um cubo de açúcar e vim para o meu vício diário: o computador. entro no facebook, como já era de hábito e me deparo com uma mensagem no perfil do matthieu. era uma menina falando que tinha adorado o dia anterior, que tinha sido engraçado.

eu fiquei puta. mas tão puta que você nem imagina o quanto. ele acha que é assim então? passa o dia com essa vagabunda e à noite me liga pra me ver no dia seguinte? ela não tava disponível, é isso? o que ele acha que eu sou? algum tipo de tapa-buraco, quebra-galho? vai tomar no cu.

fiquei puta e fui tomar meu banho. dizer que eu tava com a cabeça quente seria elogio, mesmo sendo por um motivo tão fútil; acho que as garotas me entendem, só um scrap, uma mensagenzinha pra despertar aquela ira-de-menina-apaixonada-sem-noção. mas eu tinha que ficar calma até encontrar com ele, se não ele perceberia que eu estava irritada, perguntaria porque e blablablá, e eu não ia falar que era por causa de uma mensagem no facebook dele, isso soava ridiculamente ridículo. enfim, perguntaria depois, outro dia, talvez. a gente nem tava junto né? não iria servir pra nada estragar o dia. ele tem a vida dele.

me arrumei como se estivesse indo ver uma amiga, coloquei o meu jeans, uma blusa de gola alta, uma suéter verde água com gola em V, meu sobretudo-que-não-cobre-tudo e as minhas botas. cabelo banal, bolsa cabe-tudo. comi uma coisinha pra não ficar com muita fome de tarde (de qualquer forma não iria conseguir ingerir nada com aquela ansiedade), e fui embora.

pra variar, eu estava trasada.

quando eu já estava perto do ponto, ele estava olhando pro relógio. ele ainda não tinha se acostumado com o meu atraso?

- oooi! desculpa, saí meio atrasada de casa.
- ooi!, ele sorriu, oh god! relaxa. eu tava aqui tentando arrumar essa porcaria de relógio. eu achei que tava adiantado demais até, visto que ele não funciona.
- deixa eu ver.

e aí eu peguei na mão dele e ao apenas tocá-la parecia que eu tinha recebido uma descarga elétrica. tentei descobrir o que tinha de errado com o relógio, mas não tinha nada de errado, ele estava apenas 15 minutos atrasado. e eu senti que ele me olhava enquanto eu tentava descobrir o que tinha de errado. será que ele usou a mesma tática com a outra menina? enfim, enfim. não queria pensar nisso naquela hora, então esse pensamento se evaporou e eu comecei a me focar apenas no momento agora.

o frio ainda era o mesmo, e eu continuava a odiar aquilo, mas a presença dele fazia valer a pena.

subimos no tram, arranjamos aqueles lugares um-na-frente-do-outro e conversamos. várias conversas aleatórias. era incrível como a gente nem se importava com o fato das outras pessoas estarem escutando tudo o que a gente dizia e era incrível como a gente tinha assuntos intermináveis, sempre alguma coisa pra falar.

descemos no Commerce, continuamos a conversar e fomos na direção da Fnac, meu lugar preferido do centro. viajamos sobre críticas informáticas, subimos no primeiro andar e vimos uns cd's e dvd's ("você nunca ouviu Strokes? cara, compra isso!"), depois fomos pro segundo, o meu lugar predileto: os livros.

e foi aí que ele descobriu que a melhor coisa era me deixar à distância daquele andar. porque, geralmente, quando eu entro lá, eu quero comprar tudo, memorizar cada detalhe dos livros, devorar cada um deles. sempre que eu entro lá, eu não quero mais sair. é tipo um santuário pra mim.

foi aí que meu estômago fez aquele barulho irritante e constrangedor de fome.

- ops, desculpa. acho que meu estômago tá no modo vibracall. haha - e aí ele sorri pra mim e eu derreto.
- você comeu alguma coisa antes de sair?
- hm, er, comi um pain au chocolat e uma bolacha.
- você não almoçou? que bom, eu também não! quer comer algo? - meu estômago roncou de novo, shit.
- acho que ele respondeu por mim. - eu disse apontando pra minha barriga. outro sorriso dele.
- é, haha. o que você quer comer? um américan?
- er, eu nunca comi um, todo mundo fala que é bom e..
- NUNCA? então essa é a hora, vamos, conheço um lugar onde tem um bom e barato aqui do lado.

e saímos. fomos conversando, ele dizendo que até se sentia honrado por ser o primeiro com quem eu comeria um américan. chegamos lá, e ele que pediu pra mim, eu insisti dizendo que poderia pagar, mas ele se recusou e pagou tudo.

vou te contar o que era o américan ali: era metade de uma baguete, com catchup, maionese, bife e batata frita dentro dela, num saquinho.

como na frente da loja não tinha nenhuma mesa nem nada, a gente foi sentar nos degraus no chafariz da Place Royale. congelei a minha bunda ali, pra ser extremamente sincera. mas o américan e a presença dele compensaram tudo, e fizeram eu esquecer a minha bunda congelada e o fato de eu não sentir mais os meus dedos do pé com aquele frio.

conversamos e conversamos. eu não conseguia parar de rir com ele. e eu não precisava pensar no que eu ia dizer com ele, não precisava calcular as minhas palavras, eu conseguia ser eu mesma e me sentia bem fazendo isso. e por mais que o que eu dissesse fosse fútil, bobo, besta ou ridículo, eu sabia que ele ia entender. isso era bom.

e o mais legal, era saber que era recíproco. ele me contou sobre a vida dele, também. pais divorciados, brigas pela guarda, quase-ida pra um internato quando morava com o pai, mudança para a casa da mãe recentemente. foi aí que eu descobri o porque de nunca ter visto ele. mas ele confessou que já tinha me visto, quando vinha passar os fins de semana na casa da mãe. interessante.

em seguida, tudo foi extremamente engraçado. a gente começou a andar no centro e ir naquelas ruelas estranhas que eu sempre tive medo de ir. "você tem que enfrentar os seus medos, vamos". entramos numas lojas totalmente desconhecidas, experimentando roupas nada a ver, com acessórios nada a ver. só faltei me mijar de rir quando vi ele com um sutiã de bojo e uma regata rosa-chock. queria ter tirado uma foto, mas ele fechou a cortina do provador antes.

fomos expulsos de 3 lojas por ter bagunçado tudo e deixado manequins caírem. depois paramos numa padaria pra comprar uma coca e fomos embora.

no tram, ele disse que achava que eu tinha machucado a minha mão, e pegou ela pra olhar. aí ele viu a minha queimadura, e perguntou o que que era, eu expliquei, falando daquela coisa toda de ter queimado no grill do microondas. ele riu e falou que eu tinha que parar de ser distraída.

e não largou a minha mão.

isso não me incomodou, pra falar a verdade.

fomos até a minha casa assim, como se nada tivesse acontecido. sentamos nas escadinhas da soleira da minha porta, de mãos nadas, um encostado no outro, conversando.

dali, eu escutava o coração dele e o meu baterem num ritmo acelerado. numa ansiedade, numa ânsia desse momento incrível. aquele som era difícil de se distinguir por trás das nossas palavras, dos nossos assuntos. tum, tum, tum.

eu gostava daquilo. da lentidão. de poder saborear cada instante, como se fosse o último que eu iria viver.

keep it sweet. keep it slow.

eu encostei minha cabeça no ombro dele, e ele passou o braço em torno de mim, me enlaçando. ele me olhou, como se tivesse se esforçando pra decorar cada detalhe do meu rosto, pra não perder nada, lembrar de tudo pra sempre. aí eu olhei pra ele. ele sorriu. ai, aquela covinha... eu sorri e derreti. nossos rostos estavam perigosamente perto demais um do outro.

- o que você faria se eu te beijasse agora? - eu senti um frio na barriga. as borboletas. fazia tempo... eu tinha esquecido como era bom.
- eu...

eu não tive tempo de terminar a minha frase, que ele me beijou.

eu senti aqueles lábios, apesar do frio, mornos e doces. não doces de gosto, doces de textura, a suavidade, a leveza do momento. ele me puxou mais pro lado dele, eu senti o calor dos nossos corpos se unirem, nós parecíamos estar formando um só. a mão dele na minha cintura, a minha mão nos cabelos dele, um gesto que eu tinha imaginado durante muito tempo antes de dormir.

ninguém nunca pode entender todas essas coisas que se sente com apenas um beijo se nunca beijou a pessoa amada. o que é triste. eu acho que todo mundo deveria experimentar essa sensação. é a melhor do mundo.

nós continuamos ali, sentados, abraçados, juntos, unidos, compartilhando a doçura do momento.
eu não pude me conter.

- quem você viu ontem?

ele me olhou com uma cara confusa.

- por que?
- ah, sei lá, é que hoje de manhã eu vi uma mensagem na minha página inicial do facebook de uma menina pra você falando sobre...
- ah, a audrey?
- acho que era isso. quem é?
- ah, é a minha prima! ela aparecer de surpresa na saída do almoço do meu colégio, e a gente foi almoçar juntos, fazia tempo que eu não via ela.

eu me senti super boba. fiquei puta por ele ter visto a prima dele? ai que ridículo! queria cavar um buraco e enfiar minha cabeça dentro.

- ai como eu sou boba! - e eu dei uma risadinha
- claro que não é. - ele me deu um beijo na testa - você apenas gosta de mim.
- ah, é? gosto? quem te disse?
- bom, se você não gostasse, eu já estaria em casa a essa hora. e estaria triste.
- por que estaria triste?
- porque eu gosto de você. você me fascina, você me faz rir, você me fez vestir uma regata rosa e ser expulso de 3 lojas. você é diferente das outras. eu poderia ter te agarrado logo no primeiro dia, mas eu vi que eu queria que fosse algo especial com você, que você não era esse tipo de garota. eu gosto disso, eu gosto de você.
- é... você tem razão, eu também gosto de você.

ele sorriu, e eu contemplei aquela covinha perfeita, e descobri uma pintinha marrom escondida na bochecha direita dele, que parecia ter sido feita pra mim, ter sido feita especialmente pra que eu a descobrisse naquele exato momento.

ele me beijou de novo. com lentidão e doçura, o jeito exato pro momento. eu odeio coisas românticas e melosas demais, mas quando é você quem vive, tudo tem um sentido totalmente inverso, na verdade, tudo começa a fazer sentido.

ele me beijou. e dessa vez, eu não ligava pro fato de eu não sentir os meus dedos do pé.

março 01, 2010

Mil desculpas pelo atraso da parte III, já já ela sai, tudo anda realmente louco por aqui. Isso se alguém realmente tá esperando a parte III. haha

stay beautiful.

fevereiro 06, 2010

sobre cigarros e recomeços. parte II

- alô?
- oi! mari? é o matthieu.
- ah, oi! não escorregou nas poças de gelo, e chegou são e salvo em casa?

ele riu. já disse que adorava quando eu o fazia rir e que o riso dele era simplesmente delicioso?

- sim, cheguei são e salvo em casa! vou falar pra minha mãe que você salvou a minha vida com a sua técnica de não pisar nas poças de gelo. digo, a técnica que surgiu depois de ter a bunda congelada por uma dessas.

eu ri. como ele consegue, céus?

- claro, preciso partilhar os meus conhecimentos, pras existirem menos pessoas com a bunda congelada.
- aham! e aí quando eu falar isso pra minha mãe, ela vai me falar "meu deus, que menina simpática, acho que você deveria convidar ela pra sair", então como eu já sei o que ela vai falar, estou adiantando as coisas: você tem planos pra amanhã?

eu gelei. juro, fiquei gelada. acho que se tivessem tocado em mim achariam que eu tinha morrido. já sou branca, então, branca e gelada = cadáver. enfim, tive que me concentrar muito pra não gaguejar. já que todas os meus órgãos estavam pulando dentro de mim.

- hmm, er, amanhã. que dia é amanhã?
- sábado! você já esqueceu? acho que você repetiu o caminho todo até a sua casa "aah, que bom que amanhã é sábado!"
- ah, é, verdade! hahaha hm, por enquanto eu não vou fazer nada, as meninas vão viajar, já que as férias tão começando agora..
- então, amanhã, 14h no ponto do tram e depois a gente decide o que a gente vai fazer, ok?
- ok! - acho que deu até pra ouvir o sorriso que se abriu no meu rosto, ele era realmente imenso.
- então tá, até amanhã então srta. poças de gelo.
- até amanhã sr. eu não caio em poças de gelo graças à técnica da srta. poças de gelo. - ele riu de novo. oh, céus.
- beijo.
- beijo.

joguei o meu celular na minha cama e comecei a pular, mas pular muito! e fui pulando até o banheiro, até cair de bunda.
claro, não tinham poças de gelo dentro da minha casa, mas eu tinha esquecido que eu estava molhada.

SÁBADO, SÁBADO, SÁBADO!

to be continued.

fevereiro 02, 2010

sobre cigarros e recomeços. parte I

qual contexto é o melhor pra um coração quebrado? frio e cigarro.

eu estava lá sentada no ponto do tramway, apenas pensando o quanto eu cansei desse inverno, e que eu provavelmente estava parecendo uma palhaça com as minhas bochechas e nariz vermelhos de tanto frio. estava tentando - em vão - me esquentar com o meu cigarro, mas eu acho que ele não riscaria de me fazer voltar a sentir os meus dedos do pé.

estava tão concentrada tentando esquecer do frio e tentar me focar apenas no gosto de menta do cigarro que nem vi que ele tinha se aproximado e que ainda por cima estava falando comigo.

na verdade, eu comecei com a tática de me concentrar no gosto de menta depois de ter tentado a tática de olhar para um cara bonito ao redor e ficar admirando-o e pensando sobre a vida dele, o que ele vai fazer quando chegar em casa, onde ele estava ou sei lá o que diabos mais; tava apelando até pra minha imaginação fracassada, pra você, ver como eu estava com frio. e eu também queria esquecer o fato daquele outro canalha ter acabado com o meu coração, eu já tinha decidido seguir em frente, do que vale ficar presa no passado?

- oi, desculpa, mas você tem um cigarro?

eu não conseguia nem me mexer de tanto frio, estava congelada e o cara vem me pedir um cigarro? pelo amor de Deus, como ele ainda conseguia articular as palavras (aliás, belos lábios. e dentes também)? se ele tivesse pedido o meu número de telefone teria sido melhor.

- uhum, pega aqui no bolso da direita.

ele não achou que eu ia tirar minha luva pra dar um cigarro pra ele né? eu até poderia pegar pelo menos o maço com a luva, só que a minha mão com a luva simplesmente não entravam no meu bolso. ele era bonitinho, mas não um deus grego ao ponto de eu tirar a minha preciosa luva.
enfim, ele pegou o cigarro e colocou o maço cuidadosamente no meu bolso de novo.

- hmm, er, você tem fogo também?

ah, ele tava abusando! eu sei que ele também queria se esquentar e estava com a esperança do cigarro esquentar ele, mas eu tava quase falando pra ele desistir. e eu teria falado se ele não tivesse aquele olhar... aquele olhar... hm, não sei como defini-lo. era um olhar azul claro cheio de doçura que pareceu entrar dentro da minha alma quando eu cruzei. era intenso.
e eu não ia pedir pra ele pegar o isqueiro no bolso da minha bunda né. e pelo menos pra pegar o isqueiro eu não precisava tirar a luva.

- aqui.
- obrigada.

então ele acendeu o seu cigarro, tragou e me devolveu o meu isqueiro. e foi assim, que entre um trago e outro, a gente se conheceu. o tramway parecia estar se atrasando de propósito, mas eu não liguei, porque a conversa acabou ficando boa.

ele não era nem super-sensível nem macho-man, era o meio-termo que quase todas querem. ele foi a segunda pessoa (depois do gabriel, já que foi ele que me mostrou o filme) que tinha assistido The Science Of Sleep por influência do Eternal Sunshine Of The Spotless Mind e a imaginação, contexto e tudo aquilo que só o Michel Gondry conseguiu trazer num filme. pela primeira vez eu tinha encontrado um cara cujo filme preferido não era Scarface. e eu nem lembro como a gente tinha passado de frio à filmes. e aí foi o assunto música, e ele tinha um gosto bom também, até conhecia Cobra Starship, mas não gostava de The Killers, tudo bem, ninguém é perfeito.

foi aí que eu levantei a cabeça pra ver em quanto tempo o tramway ia chegar que eu vi. tinha tido um acidente, e a porcaria da linha tava cortada. não preciso falar o quanto eu fiquei puta né? eu teria que andar até em casa. eram mais ou menos sete pontos de tramway até a minha casa. SETE PONTOS. acho que puta era até uma qualidade insignificante pra caracterizar o meu estado.

fomos andando, já que a gente ia pegar o tram pra mesma direção. mas foi só no meio do caminho que me passou pela cabeça que eu não tinha perguntado onde ele morava. eu perguntei. ele respondeu. e adivinha? ele morava tipo, à uma quadra da minha casa, e eu nunca tinha visto ele,nunca. talvez porque eu sempre esteja ocupada demais tentando organizar meus pensamentos, ou falando no celular, ou ouvindo música etc.

ele era uma pessoa realmente legal, e o sorriso dele era lindo, ainda mais com aquela covinha que aparecia do lado esquerdo da bochecha dele a cada vez que ele sorria. e aqueles olhos que eu não conseguia mais parar de olhar? eram tão claros, tão profundos, e o olhar dele era tão... único.

eu sei o final de história que vocês estão esperando. o mocinho leva a mocinha pra casa e rola aquele beijo de cinema na frente da porta. mas não aconteceu. ele foi cavaleiro e me levou até em casa sim, a conversa tava boa. mas nada de beijo. aí nós trocamos nossos números, msn e nos adicionamos no facebook.

os dias seguintes foram mais ou menos a mesma coisa. mas nesses dias eu rezava pra que tivesse tido um acidente ou sei lá o que no tramway pra que eu pudesse andar até em casa naquele frio conversando com ele. isso é meio masoquista né? eu sei. mas ele era encantador. e me esperava pra ir pra casa, mesmo se não tinha acidente, a gente conversava o trajeto inteiro e ele me levava até a porta de casa.

toda noite eu sonhava com a boca dele, com aqueles lábios que pareciam ser tão doces. o perfume dele ficava impregnado nas minhas roupas, como tava frio nós procurávamos ficar sentados perto um do outro, pra tentar se esquentar.

um dia, na frente da porta da minha casa, quase aconteceu. a gente sentia que ia acontecer, mas não aconteceu. só houve um beijinho na bochecha de despedida. como todas as vezes. nada de anormal.

até que, mais tarde, quando eu estava saindo do meu banho, eu ouvi meu celular tocar. você precisava ver o desespero da garota saindo correndo do banheiro até o quarto toda molhada, de toalha e quase escorregando no corredor. respirei 2 vezes e atendi.

to be continued.

janeiro 31, 2010

auto-suficiência

eu perdi minha inspiração.

o mundo me dá nojo, e as atitudes das pessoas me desesperam. a cada dia mais as pessoas que você pensava serem sinceras, aquelas pessoas que te diziam coisas maravilhosas, as pessoas que no dia do seu aniversário te escreveram um discurso cheio de frases clichês, mas que por cada palavra parecer ser sincera, você acreditou firmemente naquilo. as pessoas que falaram que nunca te deixariam cair, hoje te apunhalam pelas costas e te deixam no chão, observando a grande e vermelha poça de sangue que se forma.

as pessoas só querem usufruir do que você tem, e depois cuspir na sua cara todos os erros, todas as coisas nas quais você falhou. cuspir e te deixar culpada, dizendo que você as fez sofrer.

agora, eu acho que eu aprendi que os amigos de verdade, durante toda a sua vida, não serão mais de 10, e cada um em diferentes épocas. porque todo o resto, todas aquelas pessoas que pretendiam te amar, que falaram que poderiam ir até a lua por você, apenas te abandonaram, deixando com você a sua dor. a dor que elas causaram.

eu quero ter esperança de que as pessoas podem mudar, que elas podem ser pessoas boas e confiáveis. mas a cada dia, a decepção é maior. o negócio é ser auto-suficiente.